Páginas

MARKETING UNDER CONSTRUCTION

Cada vez encontro mais pessoas disponíveis para concordar que o "velho marketing" de "campanhas-tema" já era.
A dificuldade é: and what comes next? E isto não vem nos livros. Está a ser descoberto e construido exactamente AGORA!
O New Marketing, aquilo a que chamo "MARKETING À CONVERSA COM O CONSUMIDOR", terá como paradigma conceptual a lógica do ecossistema alargado: as minhas marcas estão ligadas a mim, e portanto entre si, e estão onde eu estou.
Ou seja o SumolZ (um dos últimos projectos de Inovação que lancei no Grupo Sumol e cujo case study podem ler no b-Mercator) deveria ter um perfil no Facebook, que eu certamente seguiria, e que me teria dito estar com uma excelente promoção no Auchan de Alfragide, sem que tivesse sido necessário que fosse um amigo a alertar-me...

The rising of Public Relations

Surpreende-me que o Marketing, supostamente o catalisador de tendências e o impulsionador da Inovação nas Organizações, se mantenha tão entrincheirado nos moribundos paradigmas tradicionais...
Uma coisa é certa: o Marketing habituou-se a formular e a debitar statements de Marca. A maçada é que o consumidor de hoje tem voz, também produz conteúdos e habituou-se a relações de partilha. Deixou de estar disponível para "monólogos"...
O consumidor de hoje também tem um ENORME acesso a informação. Ou seja, comunicar qualquer coisa para lá da estrita verdade, tornou-se muito arriscado... Pode ser-se desmascarado... e o consumidor tem, hoje, uma enorme capacidade de amplificação.
Dentro das Ciências do Comunicação há uma que se habituou a escutar e a dialogar, e já aprendeu há muitos anos que é menos arriscado falar verdade - as RELAÇÕES PÚBLICAS.
Is this the rising of PR era?

LISTEN DEEPLY - TELL STORIES

Vivemos na USER REVOLUTION, na sociedade da partilha. Todos somos interessantes e queremos partilhar os nossos conteúdos. Todos temos histórias para contar...
O conceito de histórias digitais assenta numa tendência absolutamente incontornável - os conteúdos caíram na mão do povo. Hoje já não há monólogos (embora, se continue a poder falar sozinho...).
As narrativas digitais são uma ferramenta de USER GENERATED CONTENT: Utilização de elementos audiovisuais digitais para a criação de histórias-multimédia. Narrações de vida - da vida de qualquer um, com a utilização de ferramentas sofisticadas, mas ao alcance de todos, bastando para isso poucas horas de formação.
O José Sacavém tem sido o grande impulsionador deste conceito no nosso país, estando a também a desenvolver um projecto de solidariedade social à volta deste recurso.
Tem também vindo a fazer acções de formação em Grupo, nomeadamente em contexto empresarial, com objectivos, por exemplo, de "team building", formação, suporte a acções de Responsabilidade Social, de Recursos Humanos na consolidação da "cultura" organizacional... ou para Grupo de amigos, familiares que querem conhecer coisas novas e partilhar experiências!
Está agora a organizar, em Óbidos, para o dia 27 de Junho, a 1ª International Digital Storytelling Conference. O painel da manhã será dedicado às aplicações do digital storytelling em várias comunidades. A sessão da tarde irá abordar as inovações nesta área, as suas conexões às tecnologias móveis e aplicações web 2.0. À noite decorrerá um festival de digital stories provenientes de todo o mundo.
Todos nós temos histórias, para as tornarmos digitais basta termos um alguém a quem as destinemos, um contexto e a vontade de partilhar as nossas emoções.

OVOS MOLES revisitados - velhos saberes, novos conceitos

Os ovos moles foram caindo para fora de moda. Por um lado vão contra a maré: o flagelo da obesidade e do excesso de peso, o colestral... de um modo geral este lifestyle que se vai instalando a favor de um estilo de vida saudável... verde, saladas, bróculos, aguinha, e muito desporto!
Mas a felicidade também dá saúde!
Com uma gastronomia gloriosa, os portugueses não esquecerão nunca que o segredo está no EQUILÍBRIO!
Para além destas questões de "modas", existem ícones da nossa gastronomia que vão resvalando para o esquecimento... mas há inovadores que aqui e ali vão revitalizando alguns deles.
O Boc'aboca (ainda por cima um termo de marketing agora muito na "berra": o WoM") aposta na nossa "cultura de mesa". Somos um povo que gosta de comer bem. Não comemos só para viver (que gente infeliz, os que comem por questões meramente "funcionais"...); este princípio, só por si, indicia um enorme espaço para a inovação... já que comer pode ser um ritual, mas os rituais podem ser renovados. Para velhos saberes procuram-se novos conceitos.
Os ovos moles do Boc'aboca têm formatos, cores e até sabores inovadores. Há hóstias coloridas, formatos (tradicionalmente ligados ao universo marítimo de Aveiro) diferentes, nomeadamente sazonais, e recheios de ovos moles "compostos": com, amêndoas, nozes... e o que mais há-de vir.
Varia, é menos doce, mais nutritivo... ou pelo menos mais indulgente - e sobretudo DELICIOSO!

LOJAS DE DESPORTO - NOVOS CONCEITOS

A busca de um estilo de vida saudável, hoje, já não é só uma questão de "saúde", mas também de lifestyle. Num mundo "cada vez mais obeso" a indústria da alimentação e bebidas inova através de propostas dentro de conceitos tidos como mais saudáveis e o desporto ganha contornos de "religião".
Em termos de consumo, o desporto é mais do que praticar alguma modalidade: treinos, ginásios... suar as estopinhas... É também um "estilo pessoal". É uma forma de vestir. Ter um "estilo desportivo" que dantes era ancorado na Lacoste ou na Fred Perry, vulgarizou-se hoje sobretudo com a massificação da oferta da Decathlon ou da Sport Zone. Já várias vezes me tinha interrogado o porquê da Decathlon só ter espaços hiper, passando ao lado do enorme fenómeno que são os Centros Comerciais em Portugal... Opções internacionais estruturadas em países onde (com pior clima) os CC não são fenómeno... E cá está! A Decat abriu portas no centro comercial Plenilunio, em Madrid. Esta loja com cerca de 800 metros quadrados oferece a mesma experiência do desporto em espaços comerciais mais pequenos que os da Decathlon. Também no mercado espanhol, este grupo francês lançou recentemente a Koodza, um conceito de loja de desporto a preços mais baixos. (primeiro espaço, abriu em Toledo) . O interessante é ver como um conceito "lifeStyle" acompanha as grandes tendências do retalho FMCG ao investir igualmente em lojas de proximidade e "hard discount".

De ZÉ POVINHO a "Kiko"?

Quase morria um bocadinho de cada um de nós quando se começou a falar do fecho da Fábrica de Faianças de Rafael Bordalo Pinheiro.
Não é a primeira vez que a Fábrica conhece maus dias: Do passado glorioso das peças do Autor e das criações para a Exposição do Mundo Português até hoje manteve-se a tradição, o nome, as faianças de couve, o Zé Povinho... mas não se evoluiu, não se inovou.
Tendo ícones tão emblemáticos torna-se mais fácil criar uma "marca de culto". Ainda para mais com a possibilidade sempre interessante de poder conjugar a criação de "mass products", como os pratos ou as terrinas, com peças de arte e decorativas como os animais gigantes... Faltou visão, inovação, marketing.
Uma vez mais se prova que não basta bons produtos, saber ancestral, garantia da qualidade. Há que escutar: Escutar o consumidor e ler as tendências das sociedades para acompanhar senão antecipar, com Inovação.
Inovação em produto, conceitos, processos, abordagens ao negócio. Inovação na procura de novos parceiros, designers, novas tipologias de clientes, novos mercados...
Sem nunca esquecer que as marcas de culto, se apoiam no passado para alavancar a projecção para o futuro - onde têm os olhos fixos - para a frente! Não para trás, nem para um passado que, um dia, foi glorioso.

CR7 NO FACEBOOK, OU COMO A NIKE PASSOU DE 5MIL PARA QUASE 3 MILHÕES DE FÃS

Espantava-me eu no último post que o Cristiano Ronaldo, no Facebook, fosse a 2ª "personalidade" com mais fãs, a seguir ao Omaba...
Para explicar este facto basta seguir a "actividade da Nike nesta página.
O segredo deste fenómeno é só um: "CONTEÚDOS NOVOS". O CR, himself, cria alguns... mas não há namoradas, vai não vai para o Real Madrid, e "mergulhos para a piscina" todos os dias. Portanto, nos intervalos, a Nike, consistentemente, introduz novos conteúdos.
A própria Nike tem uma página. Claro. Mas apenas com 5.500 fãs.
O Marketing tradicional teria colocado a questão: "o que vamos fazer para trazer mais pessoas à nossa página?" E o resultado teriam sido meia dúzia de "animações", daquelas que já estamos todos fartos...
Na essência o que a Nike está a fazer é adaptar-se ao new media. Patrocina o Ronaldo e o raciocínio terá sido: se uma foto dele na capa de uma revista vende... vamos adaptar esse "asset" ao que nos interessa... E pronto - agora têm uma página no Facebook com quase 3 milhões de fãs...
Quando a TV era "O" meio, a Nike fazia os filmes mais fabulosos... agora que ninguém está lá para vê-los adaptou-se.
De super-produções, passou a produções quase intimistas. As actuais tendências estão todas lá:
  • Web 2.0. Há toda um "rede" em ligação: Facebook, Youtube, Website...
  • People: o "P" que hoje realmente interessa. Seja o Ronaldo, os designers, os engenheiros da Nike, os consumidores que utilizam as plataformas de treino do site. YOU.
  • Tecnologia. I&D. A Nike não vende botas de futebol "fancy". Vende botas desenhadas para terem a melhor performance... quase que parece que sem elas o CR nunca teria saído da Madeira...
  • Inovação. Não é lançar novos produtos. É comunicar.
  • No bullshitt. Tudo parece simples, transparente e tu cá tu lá.
  • Novidades: novos conteúdos. Todos os dias. Por vezes várias vezes ao dia... Ideias simples, pequenos comentários. Os filmes deixaram de ser sofisticadíssimos: são grandes planos, cortes com imagens de jogos, shots em vídeo... no big deal.
  • O poder está na mão das "massas". E de vez em quando aparece um ou outro a dizer palavrões, a chamar maricas ao Ronaldo, ou a dizer que a Puma é que é bom. They just don't care...

CR7 - FENÓMENO WEB 2.0


Achei surpreendente a falta de entusiasmo de alguns portugueses quando o CR recebeu o prémio de "Melhor Jogador". Não é que seja a salvação da nação! Mas ente um português e um "Messi", e reportando-nos à época passada, não sei onde estaria a dúvida...
Que é arrogante (mas no Mourinho já não faz mal...) que não tem educação (considerando o meio de onde veio, vá lá, vá lá...) e que não sabe falar (o Presidente da República também não, e não me lembro de ver o CR encher a boca de bolo-rei em frente às cãmaras de TV...).
Mas a verdade é que é um FENÓMENO. Global.
O Facebook é uma rede social que em Portugal só agora está a passar dos membros de 2 apelidos para os de só 1,como li aqui há dias... Ou seja, tem ainda uma adesão popular relativamente baixa.
Contudo o CRISTIANO RONALDO tem a página do facebook que está em 5º lugar (à escala mundial) em número de fãs!!!!!
Em 1º lugar está o OBAMA (no big surprise...)
Em 2º lugar está a Coca-cola (que também não seria uma grande surpresa se tivesse conteúdos interessantes e não fosse uma iniciativa de 2 americanos anónimos que deixam a Marca sem entender este sucesso e sem saber o que fazer dele...)
Em 3º lugar aparecem os fãs de Nutella (e aqui parece haver o dedinho da própria Marca...)
Em 4º lugar aparecem os fãs de Pizza.
E em 5º lugar o nosso CR7.
A Nike já soube o que fazer... é um dos fãs do Cristiano, e lá vai passando as suas mensagens, enquadradas no estilo deste tipo de media.
E o turismo de Portugal, e o Aicep? Enfim "Portugal" não teria toda a legitimidade para ser também fã e na linguagem própria deste meio divulgar-se? Mas não... compram páginas de publicidade no "Times" e passam anúncios caríssimos em televisões que ninguém vê... desperdiçando perto de 3 milhões de fãs do melhor icon português da actualidade...

ENGAGEMENT - O PRÓXIMO DESAFIO DO MARKETING?

Dantes o Marketing era sobretudo Publicidade, anúncios de 30", e tal, e promoções: descontos, brindes, visibilidade no ponto de venda e pouco mais....
Hoje, os gurus dizem que Marketing é sobretudo obter o "engagement" do consumidor.
Ou seja, enquanto dantes bastava que conhecesse, gostasse (ou pelo menos não embirrasse...) e se lembrasse da Marca, hoje pede-se que goste "empenhadamente" dela!
Ora, este é um wishfull thinking claramente contra-corrente.
Num mundo em que o "TER" que favoresse a "paixão" pelas Marcas, dá lugar ao "SER", o que provoca um "back to the basics" e um retorno aos valores individuais, familiares e mais "sérios", o Marketing quer agora obter o "engagement" dos consumidores...
Depois de tanto se falar em "Marketing Relacional" , o "engagement" seria realmente o passo seguinte...
Mas a tudo isto o consumidor responde com um crescente apreço pelas "não-marcas", com uma maior adesão às marcas de distribuição, e, de uma maneira geral com um "Smart Shopping" que tenderá por um lado a beneficiar as grandes marcas (que inspiram confiança), mas que, por outro lado, apenas deixará espaço para o surgimento de novas marcas de "especialidades", banalizando todo o consumo "commodity". E neste grande e vasto espaço "commodity" não há lugar para engagement...

É A INOVAÇÃO A CHAVE PARA A CRISE?

Pode ser. Mas vai ser difícil...
Mas... se existe crise o mais certo é ela continuar se continuarmos a fazer o que temos feito. Daqui sai que a INOVAÇÃO é uma das vias de saída da crise:Inovação, em produtos, processos, tecnologia ou comunicação.
So far so good. A grande questão é que o "dia a dia" das organizações tende a "matar" um espírito inovador. A cultura do "team work" em ambiente empresarial tem vindo a favorecer um ambiente de aglutinação à volta de ideias, prejudicando o aparecimento do "contaditório".
A própria "crise" inibe um ambiente propício à inovação. Os colaboradores acham mais fácil manter os seus empregos numa postura concordata, logo menos disruptiva e inovadora... A vida em sociedade, promove o politicamente correcto... uma vez mais inibindo postura e ideias inovadores.
Neste contexto cabe aos líderes promover e desenvolver o YOU FACTOR: identificar dentro das organizações os colaboradores capazes de desafiar o "status quo" e desenvolver conceitos inovadores.