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IKEA - Sustentabilidade ou "Green Washing"?

Talvez por ser sueca, talvez por se ter tornado uma "marca próxima", talvez porque gostamos do design e da flexibilidade de utilização... talvez porque gostamos de "montar puzzles gigantes"... ou porque cada estante é um "Lego" dos crescidos - gosto, quase todos gostamos da IKEA!

A Ikea incorpora no seu valor de Marca um enorme "good will" que advém, também, em grande medida da postura ética, responsável e sustentável com que a Marca se posiciona.
... E nós estamos a  "passar ao lado" das notícias que repetidamente (mas silenciosamente)  dão nota nos media (tradicionais e digitais) que este gigante sueco é um dos responsáveis pela destruição das florestas virgens da Sibéria, Birmânia, Indonésia e noutros países asiáticos e do leste europeu.

A Ikea refugia-se das acusações em primeiro lugar com a declaração de intenções de a longo prazo (!!! - "Certified forests are the long term goal") apenas utilizar madeira de florestas planeadas do ponto de vista da sustentabilidade. 
Em segundo lugar apresentam o "The IKEA Way on Purchasing Home Furnishing Products" (IWAY), ou seja o processo a que obrigam os seus fornecedores de matérias primas. Parece muito responsável. 
Tigre da Sibéria, habitat em perigo crescente...
E os parceiros chineses do Ikea assinam-nos. Depois subcontratam ilegalmente  múltiplos subempreiteiros noutros países (normalmente sub-desenvolvidos e altamente permeáveis à corrupção) e importam a madeira que ao entrar na China apenas tem que obedecer à legislação chinesa... 

À saída em direção à Suécia ou a outras fábricas da empresa é só preencher a documentação "green washing" e tudo parece o que nunca foi...

Confesso que fiquei sinceramente perturbada com esta constatação (que poderão aprofundar mais, por exemplo aqui). 

Acredito que o grande salto de paradigma, a saída do dead end em que se encontra o mundo ocidental é a SUSTENTABILIDADE e estas políticas do "fazer parecer verde" mostram-me que os grandes Grupos ainda não perceberam isso...

O QUE É PRECISO TER PARA VIVER :)

Sê dono apenas do que podes transportar contigo; 
conhece línguas, 
conhece países, 
conhece pessoas.
Deixa que a tua MEMÓRIA seja o teu saco de viagem. 

Alexander Soljenistsyn, escritor russo

INOVAÇÃO - NA GESTÃO E MODELOS DE NEGÓCIO

"The Company man" passou relativamente despercebido entre nós. E contudo é um filme bastante realista sobre "a crise" actual. A crise que despede milhares de trabalhadores e descarta a actividade produtiva, enquanto os headquarters se mudam para novas instalações... porque é importante "manter as aparências" para "os mercados"!



Como consultora deparo-me com empresas que se debatem com dificuldades e mostram uma grande  incapacidade para repensarem os respectivos negócios à luz do enquadramento real e insistem em participar em Feiras sem qualquer retorno apenas porque deixar de ir seria admitir a existência de problemas e se recusam a ter a sede junto às fábricas, onde está o "negócio real" para manter um status quo que não se traduz em nada... e por aí em diante.

Trabalhar em INOVAÇÃO tem tornado bastante claro que muitas empresas portuguesas, antes de pensarem em "produtos inovadores", têm de repensar os seus modelos de gestão, de criar culturas inovadoras, potenciar as relações de cooperação (e mesmo de coopetição) com clientes, fornecedores e colaboradores ...de construirem organizações inovadoras!


E sobretudo de ter a noção clara de que o que nos trouxe até aqui foi uma "anti-economia" assente em produção de riqueza, mas não na produção de valor. Apenas a produção de valor é sustentável e constrói a perenidade dos negócios. Tal como no final deste filme - recomeçar em cima dos valores reais...

DELTA - A ACORDAR PORTUGAL

 Falo muitas vezes da DELTA. Inspiram-me!
Desta vez apresento os "grafics" do stad na Alimentária em Barcelona.
Absolutamente pertinentes numa conjuntura em que apenas todos se queixam. Todos não!
SONHAR COM A OBRA NÃO A FAZ APARECER. TENS DE ACORDAR E CRIAR
SONHAR COM MUDANÇA NÃO FAZ DIFERENÇA. TENS DE ACORDAR E MUDAR.
SONHAR COM VITÓRIAS NÃO FAZ GANHAR. TENS DE ACORDAR E VENCER.
Há muitos anos que acompanho feiras internacionais de alimentação onde estão presentes empresários portugueses, a grande maioria integrados no pavilhão do AICEP. A Delta está sempre fora. Com representações (quase) sempre muito pertinentes.

Este é um exemplo

O quê? só Bom - ? Até ao fim do ano sem mesada!!!! Ou o terrorismo financeiro das agências de rating...

Lembram-se daquilo a que o sistema financeiro agora chama de "activos tóxicos"? Estavam avaliados com AAA!
Lembram-se da crise financeira do Dubai? As agências de rating devem ter sabido dela pelos jornais!
A Islândia? Excelente nota!
A verdade é que estas agências são independentes dos Estados, mas dependentes de muitos interesses financeiros...
Outra verdade é que continuam a fazer as suas projecções com base em modelos que dificilmente conseguem adequar-se a uma realidade sempre em mudança e de grande volatilidade...
Portugal? A ameaça era de cortes do rating se o PEC não fosse "a doer", mas também se não fosse de aposta no crescimento! Resumindo: fosse o PEC em que direcção fosse o corte viria!
Resta ainda tentar perceber qual é a posição na escala de rating em que estamos...
É que nós que vivemos na pele a miséria franciscana deste país até devemos ficar admirados com a nossa passagem de AA para AA- que é mais ou menos passar de nota Bom para Bom menos...
Claro que tudo isto veio mesmo a calhar a um governo que em campanha eleitoral prometeu o que não podia - não aumentar os impostos!

ASIA CAPAZ DE IMITAR, MAS NÃO DE INOVAR?

Nos últimos anos o so called "ocidente" tem vindo a perder milhões de empregos para a China, Índia, Coreia do Sul, Taiwan, Vietnam...
Portugal tem sofrido bastante com a deslocação dos centros de produção para os países de Leste... A tradicional aposta em factores de produção (leia-se: mão-de-obra) baratos, não retém conhecimento, não estimula o desenvolvimento tecnológico, não impulsiona o I&D...
Sendo um país pequeno, com 10 milhões de habitantes com pouco poder de compra, e, portanto, sem dimensão para gerar a massa crítica suficiente que torne rentáveis negócios de volume, tenho defendido que a estratégia do País deveria de passar pelas indústrias, serviços e produtos de valor acrescentado, pela capacidade de criar marcas (que nenhum destes gigantes asiáticos, ou a Russia, ou outros países de Leste demonstrou ainda conseguir fazer). Em suma: aproveitar o espírito inovador dos portugueses para "fazer diferente".
Eventualmente quando (e se...) chegar a esta conclusão se já demasiado tarde.
Desde que a Bloomberg Business Week iniciou, em 2005, o seu ranking das "Most Innovative Companies", este é o 1º ano em que o Top 25 não é essencialmente americano. Porquê? Há muitos new-comers asiáticos!
Estes países até agora, têm vindo a apostar na produção massificada e na imitação, mas estão a virar-se para a inovação. Vão começar a criar marcas e se, enquanto nós, como País não soubermos identificar os nichos, as "especialidades", à nossa altura, as em que nos podemos destacar, não temos rumo, e andaremos a caminhar contra uma marabunta avassaladora... :(

Abaixo a concorrência - viva o cliente!

Medo.
Estão todos com muito medo.
As empresas, os gestores, os mercados...
Nestas alturas olha-se mais do que nunca para a concorrência: sobretudo para os preços que praticam, os produtos em que apostam, etc.
Ora, demasiado foco na concorrência leva à conformidade... que não leva a lado nenhum... Nas faculdades, no dia a dia das empresas fala-se bastante de "ser diferente" e de "diferenciação"!
Como se cai então na conformidade?
- A olhar para a concorrência: um baixa o preço, outro introduz uma ligeira alteração... e, em vez de tentarmos perceber o que seria
SIGNIFICANTE PARA O CONSUMIDOR, caímos na tentação de seguir o padrão! O espaço está para as empresas que conseguem quebrar o paradigma de forma significativa e relevante para o consumidor. Mais do que nunca a resposta não está no "rolling forecast", no "business plan" - a resposta está em quem, no final do dia, paga o dinheiro pelos nossos produtos.
É no consumidor que as empresas devem focar a sua atenção, ouvi-lo, escutá-lo... e desenvolver os produtos e as estratégias que vão ao seu encontro.

É A INOVAÇÃO A CHAVE PARA A CRISE?

Pode ser. Mas vai ser difícil...
Mas... se existe crise o mais certo é ela continuar se continuarmos a fazer o que temos feito. Daqui sai que a INOVAÇÃO é uma das vias de saída da crise:Inovação, em produtos, processos, tecnologia ou comunicação.
So far so good. A grande questão é que o "dia a dia" das organizações tende a "matar" um espírito inovador. A cultura do "team work" em ambiente empresarial tem vindo a favorecer um ambiente de aglutinação à volta de ideias, prejudicando o aparecimento do "contaditório".
A própria "crise" inibe um ambiente propício à inovação. Os colaboradores acham mais fácil manter os seus empregos numa postura concordata, logo menos disruptiva e inovadora... A vida em sociedade, promove o politicamente correcto... uma vez mais inibindo postura e ideias inovadores.
Neste contexto cabe aos líderes promover e desenvolver o YOU FACTOR: identificar dentro das organizações os colaboradores capazes de desafiar o "status quo" e desenvolver conceitos inovadores.

Le Roi est mort vive le Roi

Será que a crise vai “obrigar” os marketeers a perceber que “things have changed around?”
Os cortes nos budgets já estão a começar… e quando os planos de media forem realmente reduzidos… e nada acontecer? Alguém vai perceber que o plano de marketing já não está a funcionar… Ouch!!!
A sociedade, os consumidores, tudo mudou, esta crise vai finalmente expor que o Marketing de campanhas-tema morreu. Viva o Marketing-à-conversa com o consumidor!
A Funny Thing Happened When I Cut My Ad Spend – Nothing Posted by Peter Daboll in Advertising Age

A crise da Selecção de futebol

O Sócrates deve estar danado! Cheio de esperança que uma vitória dos nossos rapazes fizesse esquecer a crise...
Mas não, agora para além da crise, há a humilhação...
E daí talvez não. Afinal o 6-2, o Carlos Queiroz, a birra do Cristiano Ronaldo, têm entretido o povo. Têm sido uma boa alternativa à Ministra da Educação, ao caso BPN (e agora também do BPP), ao aumento do desemprego, à coboiada do Parlamento da Madeira, e vão adormecendo a oposição ao disparate do TGV e do novo aeroporto.
Este homem tem muita sorte!

É a crise!

Quando tudo vai bem é fácil...É nos momentos de tensão que se diferenciam os grandes líderes dos outros. Quando o "conceito de crise" se instala há:
  1. Os que paralisam de medo e fazem de "mortos".
  2. Os que entram em pânico e começam por cortar "no milho do pardal"
  3. E os que investem na procura das oportunidades que emergirão e fazem um esforço suplementar para "romper o paradigma".

É em momentos destes que os verdadeiros líderes encontram as respostas para entusiasmar os colaboradores, se focalizam no estratégico com a firmeza de não abandonar o caminho que sabem estar correctamente identificado, com a inteligência e a flexibilidade para "adaptar" o plano... Redução de gastos operacionais (através por exemplo da optimização dos processos...) é uma coisa, redução do investimento e colocar em causa património intangível de Marca, valor institucional construído ao longo dos anos, é outra!

Enquanto isso os outros abortam lançamentos, deitando fora por vezes anos de I&D, cortam na comunicação, na formação e motivação dos colaboradores e deixam os seus melhores cérebros ir embora (porque são caros...). A moral das tropas baixa, a produtividade cai, os resultados pioram e, aí, sim: É a crise!