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Young ou "Young for Ever"?

Nos anos 80 e 90 os jovens - os "teen" eram o target (pelo menos "aspiracional) de quase tudo. A publicidade (e sobretudo a da Coca-cola) criou um "universo jovem" para o qual todos as marcas se precipitaram alegremente!
Bancos, automóveis, telecomunicações... tudo!
Na década em que vivemos, uma certa premência do "sentido do real" e de sustentabilidade e a busca de estilos de vida mais saudáveis, acabaram por cimentar a noção de que a nossa saúde e até a nossa juventude não são uma "fatalidade, de caras, mas, estão, em grande parte, na nossa mão, até porque grandes progressos técnicos passaram a permitir, hoje, manter uma aparência jovem até muito mais tarde...
Ao mesmo tempo, a sociedade tornou-se menos esteriotipada esbatendo as fronteiras comportamentais que definiam as gerações anteriores... à minha mãe nunca lhe ocorreria andar de mota aos 45 anos. Hoje, os grandes motões estão nas mãos desta faixa etária...
Resumindo: hoje viver "jovem" prolonga-se por várias décadas.
Com isto os realmente jovens perderam o interesse aspiracional. Outro, nunca tiveram: não têm grande poder de compra e o objectivo de "conquistar consumidores para a vida" é um grande mal-entendido sobretudo agora quando a fidelidade às marcas é, cada vez mais, uma miragem...
Se considerarmos que se é realmente jovem (leia-se "teen") durante cerca de uma década e se vive jovem durante várias, pergunto-me: porque continuam marcas de produtos "não-teens" a comunicar nesse "mood"?
Ninguém quer ter 15 anos! Nem os próprios!

I love the 80's

Dedico este post a um amigo carioca, trend seacker e trendsetter que se espanta com a estética dos 80’: música, visuais, moda, etc.
Só que para perceber era preciso ter vivido a época!
A grande vantagem dos 80’ era não serem os 70’: com aquele look sindicalista, barbudo e com aspecto de pouco banho, camisas de flanela aos quadrados, gravatas psicadélicas e casacos com as golas a saírem da linha dos ombros!!!! Os homens usavam patilhas! Enormes, pretas! à séria!

A estética (visual e intelectual…) dos 70 tinha atingido o seu apogeu teenager com “Grease” e “Saturday night fever”… oh god! Nos 80’ havia tudo isto para exorcizar!

E para quem viveu intensamente os 80’ as memórias são boas: As músicas, as discotecas, as matinés, as séries de TV, os Filmes, o Spectrum, etc.

Ninguém tinha computadores, telemóveis, nem Ipods, não havia o culto das roupas de marca. Ser “cool” não era importante – a gente só queria se divertir…

Os Duran Duran, aqui na Europa foram um fenómeno por 2 razões: O Simon leBon era bonito (uma amiga minha que este ano foi ver os Metállica no RinR, perseguiu-os quando eles vieram a Portugal para lhes tirar fotografias…) e 2. A havia uma disputa ente eles e os Spandau Ballet… Mas também havia Jesus & The Mary Chain, Joy Division, Bauhaus, This Mortal Coil, Coil, Depeche Mode, New Order, Smiths, Pixies, Swans, Cocteau Twins….

M80 - a reabilitação dos anos 80

O bilhete de Identidade até pode mentir… … agora o facto é que quando começamos a achar que no nosso tempo é que as pessoas se divertiam a sério “we are past!” E então quando nos dá a nostalgia da “música dos nossos tempos” não há mesmo nada a fazer: começámos a falar pela boca dos nossos pais! Deixamos de ser “geração rebelde” (pelos visto há muito tempo, e só eu é que não tinha percebido…) e passámos a “geração nostalgia” (oh my God). Quando a nostalgia é por causa dos Genesis, Jethro Tull, Police (a verdadeira causa deste desabafo), Rolling Stones ou dos Pik Floyd, ainda vá que não vá… Agora quando se é completamente geração “disco sound” e seja por causa da M80, ou lá pelo que for, e damos connosco a pensar que as matinés do Archote (!!!) festinhas de garagem e noitadas na discoteca ao som da Blondie ou dos Kool & The Gang , suponho que já não há nada a fazer – e o grande drama é não consigo deixar de olhar à minha volta quando agora (muito, muito raramente) vou a uma discoteca e achar que face a este miúdos (novíssimos(a), não têm mães?) sorumbáticos, no “nosso tempo” e com aquela música votada todos estes anos ao ostracismo e reabilitada agora pela M80, nos divertíamos muito mais. E sem pastilhas, mas comíamos melhor. Bifes. Feitos pelas mães. E salada.
A outra moral da história é que não faz mal... o drama não é "we're not getting any younger", o drama seria ter perdido o interesse...