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Quando o "560" não quer dizer PRODUTO PORTUGUÊS...

As grandes renovações sociais são quase sempre feitas de "baixo para cima".
Neste momento, por reação àquilo que nos parecem agressões externas, assiste-se a um certo "tocar a reunir". Ele é vídeos a exaltar os feitos (passados e presentes de Portugal), comentadores a defender o país com unhas e dentes, e um certo movimento pró-consumo de produtos portugueses, com apelos até (!!!) ao boicote a produtos de alguns países.

É uma renovação de mentalidades? É passageiro agora que nos sentimos mais preocupados? Esperemos que seja o início de uma mudança de paradigma. Da maneira como somos e como nos vemos. E do que somos capazes de fazer.

Apesar de todas as campanhas institucionais destinadas a promover o consumo interno de produtos portugueses apenas agora vejo realmente uma procura pelo "560", o número inicial do código de barras dos produtos portugueses.

Só que "560" pode significar apenas que o produto é fabricado cá, ou é cá que é feito o assembling dos seus componentes.
Veja-se o caso deste cestinho com figos e amêndoas. Olhando para ele parece mesmo um produto tradicional português! Lendo com atenção a informação disponível ficamos a saber que os figos vêm da Turquia e as amêndoas dos Estados Unidos. Do cesto, por não ser um produto alimentar não sabemos a proveniência - do Oriente certamente!
E é assim que, utilizando o imaginário de "produto tradicional português" se continua a desequilibrar a nossa balança externa...
Chica-espertice? Ou pior do que isso: estarão mesmo as figueiras e amendoeiras do Algarve ao abandono?

John Cleese e a campanha viral BreakFree da TomTom

Fofoca: Em 2009 John Cleese divorciou-se da sua terceira mulher que conseguiu uma decisão do tribunal que a deixou mais rica que o próprio ator: Cleese foi obrigado a dar-lhe $15,8 milhões e uma pensão de $1,1 milhão durante 7 anos. "In order to feed the beast" segundo as suas próprias palavras o mais famoso dos Monty Python vê-se obrigado aos 70 anos  a trabalhar no duro...

Consequência da fofoca: Cleese está até disponível para fazer anúncios (bem pagos...) de publicidade.

Facto: a TomTom contratou-o para uma campanha com vários vídeos que está a ser um sucesso viral:



A estratégia e a campanha podem ser vistas aqui no Facebook.

Adequando a linguagem ao meio  ("Não sejas rude ou parvo...") a página portuguesa desta campanha  convida todos a participar com a sua própria versão do "BreakFree, dos Queen...e a ganhar uns TomTom, 2 dos quais já vêm com carro e tudo :)

E lá vão aparecendo novas formas de comunicar...

BLÁ-BLÁ OU COMUNICAÇÃO

Poucas marcas interiorizaram já que vivemos num novo paradigma de comunicação. As áreas de Marketing que deveriam ser os motores de mudança e as rampas de lançamento para novas formas de abordagem aos consumidores estão, estranhamente, cristalizados numa lógica mais do que passada e ultrapassada e entretêm-se arduamente com briefings, posicionamentos, novas campanhas e spots de televisão....

Este filme viral (cuja partilha recomendo sobretudo com os mais novos que já interagem via net)  é um bom exemplo de comunicação atual:



É útil. Para os adultos chama a atenção para aspetos aparentemente óbvios mas que por vezes esquecemos. Para as crianças é quase mandatory... 
A linguagem e a imagem são simples, sem paternalismos... mas interessante.
Não deixa de ser um viral publicitário.
O que faz TODA a diferença é que não está focado no produto/Marca e nas suas fantásticas vantagens competitivas face à concorrência... mas em quem no final do dia COMPRA - o consumidor - nos seus estados de necessidade. 
Este viral não vai fazer vender mais "n" computadores até ao final do dia, mas pelo menos em mim, pela sua utilidade (chamada de atenção que partilho com o meu filho) gerou um enorme "goodwill" para a marca "Toshiba"... 
E como hoje já ninguém vende... há é pessoas que compram, esta marca acabou de entrar para a minha lista de opções.

O ACORDO ORTOGRÁFICO E A ORIENTAÇÃO PARA A MUDANÇA

Há recordações que guardamos sem sabermos porquê.
Lembro-me de ser muito pequena e por uma qualquer razão ter presenciado uma conversa entre a minha avó e um grupo de "raparigas da mocidade dela" :).

Foto: Sandra Silva Pinto / Arquivo JPN
O tema era o acordo ortográfico. 
O de 1945. 
Esta conversa deve ter decorrido no final dos anos 60, ou início dos anos 70. 
Uma vez que a linha do tempo é para a frente, a minha avó espantava-se de ser a única a ter claramente ultrapassado essa fase, ter aderido, de resto, ao inevitável... e surpreendia-se com alguma impaciência com uma discussão com 25 ou 30 anos.

Deduzo que a orientação para a mudança é uma "coisa de família"...


Deixo aqui duas boas ferramentas para a transição:


1. Conversor do Acordo ortográfico, da Porto Editora.
2. Guia prático da Nova Ortografia, com um resumo das principais alterações.




NÃO FAÇA PLANOS - FAÇA PERGUNTAS

Ao contrário do que muito dizem ser Consultora é ÓPTIMO!

Um dos últimos trabalhos para que fui chamada foi para fazer "Activação de Mentes" com a Direção de uma Empresa como "kick off" para o início do Ciclo de Planeamento  para o próximo ano.

NÃO FAÇA PLANOS, FAÇA PERGUNTAS foi o tema que escolhi. 
Iam morrendo ao primeiro slide. 
Depois entusiasmaram-se.
Acho mesmo que este deve ter sido o primeiro ano em que acharam esta fase interessante e desafiante
.
Photo by "henry the frog"
Gostei de abanar crenças instaladas e sobretudo de ajudar a desfazer alguns mitos tidos como "Informação" e que levam ao planeamento com base em premissas enviesadas. Parece-lhe estranho? É muito comum. Em muitas empresas...

A HBR publica agora um artigo muito interessante que para além das tradicionais :"Why?, what?, who?, and how?",  propõe o desassombro e desafia a questionar o "conhecimento" que se julga ter sobre o nosso negócio e o mercado que o enquadra:



1. Why do you exist (what's the big idea)? Da minha experiência profissional tanto por conta de outrem tanto como consultora sempre me assombrou a falta de prontidão dos líderes das organizações nesta resposta...



2. What is your value proposition? Também raramente alguém tem ideias concretas sobre isto - qualidade do produto, diferenciação, posicionamento e coisas do género são... bla, blá, blá...



3. Who are you trying to serve? Esta então é assustadora - a maioria das empresas portuguesas estão muito mais focadas na concorrência (!!!!) do que nos clientes: não sabem quem são, quem poderiam ser... desconhecem os Estados de Necessidades a que deveriam estar a responder!



4.How do you know you are winning? Desde empresas que não têm contas de exploração à gestão pela falácia dos números há de tudo e muito pouco - poucos indicadores integrados que permitam ter o retrato do momento, a linha de investimento e os resultados pretendidos...



Antes de decidirem - aprendam a fazer perguntas!







IKEA - Sustentabilidade ou "Green Washing"?

Talvez por ser sueca, talvez por se ter tornado uma "marca próxima", talvez porque gostamos do design e da flexibilidade de utilização... talvez porque gostamos de "montar puzzles gigantes"... ou porque cada estante é um "Lego" dos crescidos - gosto, quase todos gostamos da IKEA!

A Ikea incorpora no seu valor de Marca um enorme "good will" que advém, também, em grande medida da postura ética, responsável e sustentável com que a Marca se posiciona.
... E nós estamos a  "passar ao lado" das notícias que repetidamente (mas silenciosamente)  dão nota nos media (tradicionais e digitais) que este gigante sueco é um dos responsáveis pela destruição das florestas virgens da Sibéria, Birmânia, Indonésia e noutros países asiáticos e do leste europeu.

A Ikea refugia-se das acusações em primeiro lugar com a declaração de intenções de a longo prazo (!!! - "Certified forests are the long term goal") apenas utilizar madeira de florestas planeadas do ponto de vista da sustentabilidade. 
Em segundo lugar apresentam o "The IKEA Way on Purchasing Home Furnishing Products" (IWAY), ou seja o processo a que obrigam os seus fornecedores de matérias primas. Parece muito responsável. 
Tigre da Sibéria, habitat em perigo crescente...
E os parceiros chineses do Ikea assinam-nos. Depois subcontratam ilegalmente  múltiplos subempreiteiros noutros países (normalmente sub-desenvolvidos e altamente permeáveis à corrupção) e importam a madeira que ao entrar na China apenas tem que obedecer à legislação chinesa... 

À saída em direção à Suécia ou a outras fábricas da empresa é só preencher a documentação "green washing" e tudo parece o que nunca foi...

Confesso que fiquei sinceramente perturbada com esta constatação (que poderão aprofundar mais, por exemplo aqui). 

Acredito que o grande salto de paradigma, a saída do dead end em que se encontra o mundo ocidental é a SUSTENTABILIDADE e estas políticas do "fazer parecer verde" mostram-me que os grandes Grupos ainda não perceberam isso...

O QUE É PRECISO TER PARA VIVER :)

Sê dono apenas do que podes transportar contigo; 
conhece línguas, 
conhece países, 
conhece pessoas.
Deixa que a tua MEMÓRIA seja o teu saco de viagem. 

Alexander Soljenistsyn, escritor russo

Já está na rua o CIN Remake 2011. O mote dá Tiago Bettencourt.










O ano passado José Luís Peixoto deu a inspiração literária para as traduções gráficas que acabam por contribuir para a reabilitação urbana de Lisboa (algumas destas obras podem ser (re)vistas aqui)


E as tintas deixam de ser coisas para "pintar paredes" tornam-se em universos cromáticos que fazem uma ponte multicultural entre grafismo, poesia, música...GOSTO!





E gosto da interação das empresas com a sociedade e com a cultura. Durante este processo, jovens artistas "deixam a sua marca"... Deve ser bom :)

OTIMISMO E RESILIÊNCIA ou como a PAIXÃO SUPERA A CONDIÇÃO

A música é uma paixão antiga....José da Silva de Braga adorava piano. 3 dias antes de iniciar as suas aulas perdeu esse sonho junto com parte de uma mão. Acidente de trabalho aos 10 anos, na gráfica onde trabalhava...

João Carlos Martins é o seu filho.

Bach a 3 dedos, ontem no Tivoli... Porque a vida assim quis... 1 indicador e 2 polegares.



Aprendeu a tocar a uma só mão. Reaprendeu a tocar tudo com a mão esquerda...

E reaprendeu tudo, milhões de notas decoradas, como Maestro, sem batuta, sem mãos com que virar a partitura... mas a paixão alarga o talento.

Paixão pela música.
Pelo Brasil onde nasceu este filho de português.
Pelos outros.
A paixão pela música tornou-o mundialmente relevante.
A paixão pelos outros faz a diferença na vida de muitos que contagia, que inspira, que resgata... porque sustentabilidade é muito mais do que brincar à caridadezinha - ou Bach do Carnegie Hall à favela.

Pode ver a biografia de João Carlos Martins tal como publicada pela conferência "Talenting the Impossible" que o trouxe a Lisboa.

SEMPRE QUE DESAFIAMOS O IMPOSSÍVEL ELE RECUA.

INOVAÇÃO - NA GESTÃO E MODELOS DE NEGÓCIO

"The Company man" passou relativamente despercebido entre nós. E contudo é um filme bastante realista sobre "a crise" actual. A crise que despede milhares de trabalhadores e descarta a actividade produtiva, enquanto os headquarters se mudam para novas instalações... porque é importante "manter as aparências" para "os mercados"!



Como consultora deparo-me com empresas que se debatem com dificuldades e mostram uma grande  incapacidade para repensarem os respectivos negócios à luz do enquadramento real e insistem em participar em Feiras sem qualquer retorno apenas porque deixar de ir seria admitir a existência de problemas e se recusam a ter a sede junto às fábricas, onde está o "negócio real" para manter um status quo que não se traduz em nada... e por aí em diante.

Trabalhar em INOVAÇÃO tem tornado bastante claro que muitas empresas portuguesas, antes de pensarem em "produtos inovadores", têm de repensar os seus modelos de gestão, de criar culturas inovadoras, potenciar as relações de cooperação (e mesmo de coopetição) com clientes, fornecedores e colaboradores ...de construirem organizações inovadoras!


E sobretudo de ter a noção clara de que o que nos trouxe até aqui foi uma "anti-economia" assente em produção de riqueza, mas não na produção de valor. Apenas a produção de valor é sustentável e constrói a perenidade dos negócios. Tal como no final deste filme - recomeçar em cima dos valores reais...